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Alergias Alimentares: O Que São e Como Tratá-las?

Dr Juliano Pimentel

Alergias alimentares afetam todos os anos muitas pessoas, por isso é importante dar atenção.  Elas são doenças de base imunológica que se tornaram graves preocupações de saúde. Estima-se que um quinto da população possui reações adversas aos alimentos, mas a verdadeira prevalência de alergias alimentares varia entre 3 e 4% na população em geral.

Apesar do risco de reações alérgicas graves e até mesmo de morte, não existe um tratamento atual para as alergias alimentares. A condição só pode ser gerenciada basicamente ao evitar os alimentos alérgenos.

Felizmente, existem alguns alimentos que ajudam a impulsionar o sistema imunológico e melhorar a microbiota intestinal, o que ajuda a reduzir o desenvolvimento de alergias alimentares e sintomas de alergia (1).

Neste artigo, eu irei abordar as principais alergias alimentares e seus sintomas.

Não deixe de ler e compartilhar.

O que são Alergias Alimentares?

Alergias alimentares consistem em uma resposta do sistema imunológico a um alimento desagradável. O corpo sente que uma proteína em um determinado alimento pode ser prejudicial e desencadeia uma resposta do sistema imunológico, produzindo histamina para se proteger.

O corpo “lembra” disto e quando esse alimento entra no seu organismo novamente, a resposta de histamina é desencadeada mais facilmente.

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O diagnóstico de alergias alimentares pode ser problemático porque as reações não alérgicas, tais como intolerâncias alimentares, são frequentemente confundidas com sintomas de alergia alimentar.

A intolerância derivada de um mecanismo imunológico é tratada como uma alergia alimentar e a forma não imunológica é denominada intolerância alimentar. Alergias alimentares e intolerâncias são muitas vezes ligados, mas há uma clara diferença entre as duas condições.

Uma alergia alimentar vem de uma reação do alérgeno-anticorpo específico imunoglobulina E, que é encontrado na corrente sanguínea. Também são possíveis alergias alimentares não mediadas por IgE. Isso acontece quando alguém é exposto a um alimento que causa sinais e sintomas de uma alergia, como a dermatite de contato alérgica.

A intolerância alimentar é uma reação adversa a alimentos ou componentes alimentares, mas não acontece devido a mecanismos imunológicos.

Por exemplo, uma pessoa pode ter uma resposta imunológica ao leite de vaca por causa da proteína do leite, ou esse indivíduo pode ser intolerante ao leite devido a uma incapacidade de digerir o açúcar lactose. A incapacidade de digerir a lactose leva ao excesso de produção de fluidos no trato gastrointestinal, resultando em dor abdominal e diarreia. Esta condição é denominada intolerância à lactose porque a lactose não é um alérgeno, uma vez que a resposta não é imunológica (2). As intolerâncias alimentares são inespecíficas e os sintomas muitas vezes se assemelham com problemas digestivos (3).

As alergias alimentares medicamentosas com IgE são as mais comuns e perigosas de reações adversas aos alimentos. Elas fazem com que o seu sistema imunológico reaja anormalmente quando expostos a um ou mais alimentos específicos. Reações imediatas a alergias alimentares mediadas são causadas por um anticorpo específico de alergeno-imunoglobulina E que flutua na corrente sanguínea.

Quando IgE está funcionando corretamente, ele identifica gatilhos que podem ser prejudiciais para o corpo, como parasitas, e diz ao corpo para liberar histamina. A histamina causa sintomas alérgicos como urticária e tosse.

Às vezes IgE reage às proteínas normais que são encontradas nos alimentos – e quando a proteína é absorvida durante a digestão e entra na corrente sanguínea, todo o corpo reage como se a proteína fosse uma ameaça. É por isso que os sintomas de alergia alimentar são perceptíveis na pele, sistema respiratório, sistema digestivo e sistema circulatório.

De acordo com uma revisão abrangente publicada pela Clinical Reviews, a prevalência de alergias alimentares na infância está aumentando e pode afetar até 15-20% dos lactentes (4). E pesquisadores da Escola de Medicina Mount Sinai sugerem que as alergias alimentares afetam cerca de 6% das crianças pequenas e 3-4% dos adultos (5).

Os pesquisadores sugerem que esse aumento na prevalência de alergias alimentares pode ser devido a uma mudança na composição, riqueza e equilíbrio da microbiota que coloniza o intestino humano durante a primeira infância.

O microbioma humano desempenha um papel vital no desenvolvimento e função imunológica do início da vida (6).

Alergias alimentares mais comuns

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Mariscos fazem parte das alergias alimentares mais comuns

Embora qualquer alimento possa provocar uma reação, relativamente poucos alimentos são responsáveis por uma grande maioria das reações alérgicas induzidas por alimentos. Mais de 90% das alergias alimentares são causadas pelos seguintes alimentos:

  1. Leite de vaca

Alergia à proteína do leite de vaca afeta 2 a 7,5% das crianças.

A persistência dessa alergia na idade adulta é incomum, uma vez que uma tolerância se desenvolve em 51% dos casos a partir dos 2 anos de idade e 80% dos casos com 3-4 anos (7).

Numerosas proteínas do leite têm sido implicadas em respostas alérgicas e a maioria destas tem mostrado ter múltiplos epítopos alergénicos (alvos a que um alvo individual se liga). As reações mediadas por IgE ao leite de vaca são comuns na infância e as reações mediadas por não-IgE são comuns em adultos.

Um estudo de 2005 publicado no Journal of American College of Nutrition sugere que a prevalência de alergia ao leite de vaca autodiagnosticada é 10 vezes maior do que a incidência clinicamente comprovada, sugerindo que uma população considerável restringe desnecessariamente os produtos lácteos (para fins alérgicos) (8).

  1. Ovos

A alergia ao ovo de galinha é também bastante comum em bebês e crianças pequenas. Pesquisas estimam que a alergia ao ovo afeta 0,5 a 2,5% das crianças pequenas.

A alergia aos ovos geralmente se apresenta na segunda metade do primeiro ano de vida, com uma idade mediana de apresentação de 10 meses. A maioria das reações ocorrem na primeira exposição conhecida da criança ao ovo, sendo o eczema os sintomas mais comuns. Foram identificadas cinco proteínas alergénicas principais do ovo da galinha doméstica, sendo a mais dominante a ovalbumina (9).

Quero deixar claro aqui que o ovo é um alimento perfeitamente saudável e apenas pessoas alérgicas devem restringir o seu consumo.

  1. Soja

A alergia à soja afeta aproximadamente 0,4% das crianças.

De acordo com um estudo de 2010 realizado na Escola de Medicina da Universidade John Hopkins, 50% das crianças com alergia à soja superaram sua alergia aos 7 anos de idade (10).

A prevalência de sensibilização após o uso de fórmulas à base de soja é de cerca de 8,8%. Fórmula de soja é comumente usada para crianças que são alérgicas ao leite de vaca e pesquisas sugerem que a alergia à soja ocorre em apenas uma pequena minoria de crianças com alergia ao leite de vaca (11).

  1. Trigo

Os distúrbios relacionados ao glúten, incluindo alergia ao trigo, doença celíaca e sensibilidade ao glúten não celíaco, têm uma prevalência global estimada em cerca de 5%. Estes distúrbios partilham sintomas semelhantes, tornando difícil fazer um diagnóstico claro.

Uma alergia ao trigo representa um tipo de reação imunológica adversa às proteínas contidas no trigo e grãos relacionados. Os anticorpos IgE medeiam a resposta inflamatória à várias proteínas alergênicas encontradas no trigo. A alergia ao trigo afeta a pele, o trato gastrointestinal e o trato respiratório (12).

  1. Amendoins

Alergia ao amendoim tende a apresentar-se no início da vida e indivíduos afetados geralmente não superam. Em pessoas altamente sensibilizadas, apenas vestígios de amendoim podem induzir uma reação alérgica. Pesquisas sugerem que a exposição precoce ao amendoim pode reduzir o risco de desenvolver a alergia ao alimento.

Amendoins são baratos e frequentemente consumidos como componentes de muitos alimentos preparados diferentes. Eles causam o maior número de casos de anafilaxia grave e morte nos Estados Unidos (13).

  1. Castanhas e Nozes

A prevalência de alergias à castanhas continua a aumentar em todo o mundo, afetando cerca de 1% da população em geral. Estas alergias começam mais frequentemente durante a infância, mas podem ocorrer em qualquer idade.

Apenas cerca de 10% das pessoas que vivem com alergias à castanhas e nozes possuem reações sérias (14).

As maiores responsáveis por alergias incluem avelãs, nozes, castanhas de caju e amêndoas. Aqueles que são menos frequentemente associados com alergias incluem castanhas, castanhas do Brasil, pinhões, pistache e coco (15).

  1. Peixe

De acordo com um estudo publicado pela Clinical Reviews of Allergy and Immunology, as reações adversas aos peixes não são apenas mediadas pelo sistema imunológico causando alergias, mas muitas vezes são causadas por várias toxinas e parasitas, incluindo ciguatera e Anisakis.

Reações alérgicas aos peixes podem ser graves e as crianças geralmente não superam este tipo de alergia alimentar.

Uma reação não se restringe à ingestão de peixe, como também pode ser causada pela manipulação de peixes e ingestão dos vapores de cozimento.

As taxas de prevalência de alergias de peixe variam de 0,2 a 2,29% na população em geral, mas podem chegar a até 8% entre os trabalhadores de processamento de peixe (16).

  1. Crustáceos

As reações alérgicas ao marisco, que inclui os grupos de crustáceos (tais como caranguejos, lagostas, camarões e siri) e moluscos (tais como lula e polvo), podem provocar sintomas clínicos que variam de urticária, alergia oral a reações anafiláticas com risco de vida.

A alergia a frutos do mar é conhecida por ser comum e persistente em adultos, e pode causar anafilaxia em crianças e adultos. A prevalência de alergia a moluscos é de 0,5 a 5% (17).

Um fenômeno chamado reação cruzada pode ocorrer quando um anticorpo reage não apenas com o alérgeno original, mas também com um alérgeno semelhante.

A reatividade cruzada ocorre quando um alérgeno alimentar partilha semelhanças estrutural ou sequencial com um alérgeno alimentar diferente, o que pode desencadear uma reação adversa semelhante à provocada pelo alérgeno alimentar original. Isso é comum entre diferentes tipos de mariscos e nozes (18).

Sintomas da Alergia Alimentar

Os sintomas de alergia alimentar podem variar de leve a grave e, em casos raros, pode levar à anafilaxia, uma reação alérgica grave e potencialmente fatal.

A anafilaxia pode prejudicar a respiração, causar uma queda dramática na pressão arterial e alterar a sua frequência cardíaca. Pode acontecer dentro de poucos minutos de exposição ao alimento gatilho. Se uma alergia alimentar causa anafilaxia, pode ser fatal e deve ser tratada com uma injeção de adrenalina.

Faça o DownloadOs sintomas da alergia alimentar podem envolver a pele, trato gastrointestinal, sistema cardiovascular e do trato respiratório. Alguns sintomas comuns incluem:

  •         Vômito;
  •         Dores de estômago;
  •         Tosse;
  •         Falta de ar;
  •         Dificuldade em engolir;
  •         Inchaço da língua;
  •         Incapacidade de falar ou respirar;
  •         Pulso fraco;
  •         Tontura;
  •         Pele pálida ou de cor azul.

A maioria dos sintomas de alergia alimentar ocorre dentro de duas horas após comer o alérgeno e muitas vezes começam em poucos minutos (19, 20).

Tratamento de alergias alimentares

Atualmente, não existem terapias disponíveis para prevenir ou tratar alergias alimentares.

A gestão de alergias alimentares consiste em evitar a ingestão do alérgeno responsável e saber o que fazer se houver uma ingestão não intencional.

Mas os seguintes tratamentos naturais para alergias alimentares irão ajudá-lo a lidar com os sintomas do problema e torná-los menos graves.

  1. Dieta GAPS

A dieta GAPS é um plano de refeição que é projetado para reparar a parede do intestino, impulsionar o sistema imunológico, parar a sobrecarga tóxica e evitar que toxinas entrem na corrente sanguínea. É comumente usada para o tratamento de doenças autoimunes.

A dieta se concentra na remoção de alimentos que são difíceis de digerir e prejudiciais para a flora intestinal, fazendo sua substituição por alimentos com nutrientes densos para dar o revestimento intestinal uma chance de se tratar (21).

Na dieta GAPS, você evita alimentos processados, grãos, açúcar, carboidratos, produtos químicos artificiais e conservantes, e laticínios. Em vez de comer esses alimentos inflamatórios, você se concentra em consumir alimentos curativos como vegetais, carnes orgânicas selvagens, gorduras saudáveis e alimentos ricos em probióticos.

O ideal é evitar o açúcar de maneira geral, não apenas na dieta. O açúcar causa inflamação e muitos outros problemas no organismo. Por isso, elaborei um material completo sobre o Açúcar. Clique na imagem abaixo para saber mais.

 

  1. Probióticos

Os suplementos probióticos estimulam a função imunológica e reduzem o risco de desenvolver alergias alimentares.

Um estudo de 2011 avaliou 230 crianças com alergia suspeita de leite de vaca. Os lactentes foram distribuídos aleatoriamente entre grupos que ingeriram probióticos ou placebo durante quatro semanas. Os resultados mostraram que os probióticos podem reduzir a inflamação e aumentar a defesa imune do intestino (22).

  1. Vitamina B5

A vitamina B5 suporta a função adrenal e pode ajudar com controle de sintomas da alergia alimentar. É importante na manutenção de um trato digestivo saudável e aumenta a função imunológica. (23)

  1. L-glutamina

L-glutamina é o aminoácido mais abundante na corrente sanguínea, e pode ajudar a reparar o intestino gotejante e aumentar a saúde imunológica. Pesquisas indicam que o intestino gotejante, ou permeabilidade intestinal, é susceptível de causar várias patologias, incluindo alergias. Compostos como a glutamina têm o potencial mecanicista para inibir a inflamação e o stress oxidativo (24).

As alergias alimentares são doenças de base imune que se tornaram um problema de saúde.

Os sintomas da alergia alimentar consistem em uma resposta do sistema imunológico a um alimento desagradável. Mais de 90% das alergias alimentares são causadas pelo leite de vaca, ovos, soja, trigo, amendoim, nozes, peixe e marisco.

Para diagnosticar uma alergia alimentar, é importante consultar um alergista. Mudanças na sua dieta também são importantes.

Para quem prefere, o conteúdo deste artigo está disponível também em vídeo a seguir. Basta dar o play!

Abraços e fique com Deus!

Dr. Juliano Pimentel.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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Tags : alergiaalergia alimentaralimentaçãoalimentodestaquedr. juliano pimentelsaúde

Autor Dr. Juliano Pimentel

Olá, eu sou o doutor Juliano Pimentel. Médico, fisioterapeuta e coach que ajuda as pessoas com conteúdos sobre saúde, alimentação e emagrecimento. Também sou celíaco e tenho uma vida de pesquisa sobre o Glúten.

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